quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Líder do Parangolé, Léo Santana é uma das sensações do novo pagode

Redação CORREIO
Camila Mello
Fotos: Angeluci Figueiredo

Moreno alto, bonito e sensual. Com esse perfil, Léo Santana, 21, está enlouquecendo as garotas. São105 kg de músculos,1,98m de altura e a pele marcada por uma tribal e estrelas tatuadas no braço direito de um corpo que chama atenção, não tem jeito. Ele, aliás, também sabe bem disso: 'Não mudaria nada em mim, só pararia de crescer (risos). Os meninos da banda até brincam dizendo que eu tenho axé com a mulherada', conta.


Léo Santana, sucesso do novo pagode

Mas não é só isso. Há dois anos comandando o Parangolé, Léo transformou a banda em uma das melhores do pagode baiano, lançando músicas como Favela, Balacobaco e Todinha, que tocam em boa parte do país. Já dividiu o palco com Daniela Mercury, Claudia Leitte e Ivete Sangalo.

Daniela: primeira estrela do axé a convidar Léo

Com toda essa moral,o cantor entrou na mira da produtora Carreira Solo (a mesma de Claudia Leitte e Jammil), que acertou uma parceria com a Salvador Produções para administrar a carreira do grupo. 'Sempre acreditei no meu talento e acho importante incentivar a evolução do pagode baiano, inclusive com enfoque social', diz orgulhoso.

Para contar detalhes de sua nova vida, Léo Santana topou receber a reportagem do CORREIO no prédio onde mora, no Candeal, na tarde de terça-feira (21). Chegando do shopping com compras na mão, o cantor nos encontrou na portaria e nos levou até seu apartamento, no 12º andar.

Tivemos sorte de encontrar tudo no lugar. “Ainda bem que eu dei um grau aqui ontem!', relaxou (se bem que desde que passou a morar sozinho, há cinco meses, a mãe sempre faz visitas e coloca as coisas do filho no lugar). Mais uns passos para dentro da casa e damos de cara com fotografias de shows e os troféus Dodô & Osmar 2009 de cantor e banda revelação, que ganhou no início do ano.

Léo: participação especial no show de Claudia Leitte

Nascido no bairro do Lobato e caçula da família (ele tem duas irmãs), Léo começou a carreira cantando em bandas menores como Aperta Play, Zairê e Pegada de Ghetto. Já fazia sucesso com as mulheres na época, mas nada que chegasse perto do assédio atual. “Elas me chamam de tudo quanto é coisa: gostosão, maravilhoso... já mandaram carta de 60 metros e uma delas tatuou o meu nome. É bom de mais e,além disso, não deixa de ser um reconhecimento de nosso trabalho', afirma.

No quarto, ele guarda outros presentes de fãs e também uma coleção de bonés: “Nunca parei para contar quantos são, mas sei que são muitos. Acabou virando uma marca'. A quantidade, porém, não facilita em nada na hora de se arrumar. Ele é muito vaidoso e se troca várias vezes antes de sair. 'O pessoal sempre reclama porque demoro até no banho, mas não tem jeito' (risos).

Semelhanças

A história de Léo Santana lembra a de um outro cantor baiano que também se tornou símbolo sexual.: Xanddy. O vocalista do Harmonia do Samba também saiu de um bairro periférico da cidade e ganhou fama de bonitão quando começou a aparecer nos palcos.

'Eu sou um grande admirador do trabalho dele e da pessoa que é. Ele (Xanddy) mesmo já disse que eu estou fazendo o mesmo caminho que ele', revela satisfeito. Para completar, Léo também é famoso pelo molejo no palco e quer inventar mais. 'Nesse final de semana, eu vou lançar uma novidade que vai me deixar mais livre para dançar. E aposto que outros cantores vão gostar também', promete.

Léo e Xanddy: carreiras têm semelhanças

A agenda do garoto está cheia, claro. Além dos shows programados até o início de 2010, incluindo quatro grandes festas em Salvador e ensaios de Verão, ele vai gravar um novo CD depois do Carnaval ( já tem dez canções inéditas, sendo quatro de sua autoria).' Vários artistas do axé como Tatau, Alexandre Peixe, Claudia Leitte e Levi (Via Circular) estão oferecendo músicas bem legais', comemora.



Bahia: muito ritmo e pouca sensualidade

Por Hagamenon Brito

A axé music nunca foi boa de sensualidade. Embora Sarajane tenha até posado para a revista Playboy nos primórdios da cena, os artistas (sejam mulheres ou homens) baianos da música pop de origem carnavalesca nunca foram craques nisso.

O tom lúdico ou debochado sempre prevaleceu: de Luiz Caldas a Saulo Fernandes, de Sarajane a Ivete Sangalo.Um bom videoclipe de Shakira tem mais sensualidade de que, praticamente, todas as cantoras de axé juntas. De qualquer forma, o pop brasileiro também é fraco no assunto. Somos um país de comportamento sexual mais liberal do que os Estados Unidos, mas, curiosamente, o show biz tupiniquim tem pudores na exploração artística da sensualidade.

Já os cantores americanos... Britney Spears, por exemplo, exala sensualidade desde o tempo em que era virgem. Sandy, virgem ou casada, parece uma noviça insossa. A ascensão do pagode baiano nos 90 (sobretudo com É o Tchan) esquentou a cena local, mas, em geral, a coisa escorrega(va) para a baixaria (a dança da boquinha da garrafa) ou o escracho.

Xanddy, no começo do Harmonia do Samba, foi o primeiro cantor local a explorar seu lado sensual em cima do palco sem parecer grotesco. Léo Santana é uma versão atualizada do marido de Carla Perez. Se for esperto, vai saber usar algo que foi criado pelo rock nos anos 50: a imagem como algo fundamental da engrenagem pop. Elvis Presley sabia desde o início que o seu topete e o seu rebolado iriam enlouquecer a mulherada.

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